Mais faísca atrasada impossível. Só agora vi o aclamado, unânime e mais recente megasucesso do cinema nacional.
A saga da família Camargo não obteve nenhuma crítica desfavorável (que eu tenha lido), mesmo dos mais ácidos jornalistas. A Globo promoveu uma verdadeira campanha publicitário-jornalística, com segundas intenções ainda não muito claras pra mim. O fato é que com tanta gente falando bem é impossível assistir a “fita” com isenção no olhar. Minha cabeça era uma mistura de grande expectativa com rejeição pré-concebida, devido à grande exposição midianesca (adoro inventar palavras). As entrevistas que acompanhei narravam praticamente toda a história, inclusive sugerindo sensações para os mais diversos momentos. É claro que emoções agendadas não fazem parte do meu rol de sensações. Ou seja, a hora em que morre o irmão e o final de sucesso não me tocaram como sugerido. Minhas partes marcantes ficaram por conta de quando Luciano aparece em frente ao espelho, já crescido – como se estivesse ali para preencher uma lacuna deixada e dar prosseguimento ao sucesso que estava latente – e com relação à chamada música brega.
A popularidade desse e de diversos outros estilos me fez questionar com que direito eu e pseudodonos da arte e da “cultura” deste país temos a audácia de levantar a voz contra estilos musicais que, dentro de sua simplicidade, trazem a verdadeira alma do povo (do real povo) brasileiro. Estou falando de letras que narram exatamente a vida, as sensações e os sentimentos de pessoas que existem e que realmente vivem ou viveram aquilo que é cantado intensamente, dentro de sua humilde e respeitável simplicidade.
Me contradizendo, do alto de minha arrogância “cultural”, mesmo sem conhecer os demais filmes que têm chances de serem indicados ao Oscar, aposto que 2 Filhos de Francisco não será. Não é pra tanto. Não é tudo o que falaram. A não ser que a Globo tenha mais poder do que suponho.